Somos galegos e nom nos entendemos.

Um casal amigo escolhe a Grécia como local de viagem no mês de agosto. O grego, como é sabido, é o bastante diferente da nossa língua como para se sentir em Marte, o que para relaxar e desligar do dia a dia é umha bênçom. Nom dá para ler jornais, ouvir rádio, ver televisom… sweet Marte sweet.

Ter umha língua conectada, no entanto, pode ser umha maldiçom e trasladar-nos ao planeta Terra num piscar de olhos. Um dado dia, visitando tal ou qual monumento, ouvem um brasileiro a falar no telemóvel. Com vontade de um bocado de “terraqueidade” dam em conversar com ele. O tipo é muito curioso pola Grécia, polo diferente, polo próprio e rapidamente fam farinha.

Em dado momento, cruza-se com eles umha portuguesa que ao ouvir a conversa junta-se deles, talvez também com vontade de baixar do comboio Marte e sentir-se na Terra. Ao pouco, o brasileiro exclama: Adoro Portugal, vou lá com frequência, Lisboa, Porto, as vilas alentejanas, as festas regionais…

Ao que a portuguesa responde célere: O senhor é brasileiro, que bom!. Eu tenho estado lá algumhas vezes. É espetacular, as praias cariocas, o samba, os sumos…– e olhando para o casal galego pergunta- e vocês, de onde som?

Nós somos da Galiza, de Santiago de Compostela.

-Ah, a Espanha, eu adoro, os touros, o flamenco, Madrid…

– Nós odiamos Espanha.

-Ah, sim, os bascos…

setembro 2012

 

This entry was posted in Em 2012, Língua Nacional. Bookmark the permalink.