Braveheart, De Gaulle e a Lusofonia

É comum ouvir comentários sobre a veracidade dos filmes históricos. Afinal, os víquingues nom usavam capacetes com cornos, no faroeste nom havia duelos com pistola e a saia escocesa, o kilt, surgiu no s. XVI, vários séculos depois do momento histórico em que está ambientado Braveheart.

Um dos momentos que mais chamara a minha atençom deste último filme tem a ver com a batalha final, imprescindível num filme épico de gema. De um lado, os escoceses, do outro os ingleses com mercenários bretões que som lançados em primeiro lugar à batalha. Quando parece que ambas as fações vam chocar na maior das violências, param, começam a rir e dam em se abraçar. Afinal som todos celtas, nom som? A indústria do entertainment é assim.

Do outro lado o Atlántico, já nos anos 60, o Quebeque estava a viver a sua primeira efervescência nacional: estavam a ser menos canadianos e mais quebecois. Em 1967, o presidente francês Charles De Gaulle visita Montreal e acaba o seu discurso perante a massa enaltecida com um inflamante: Vive le Québec libre, recebendo doses de calor quebequês e de frialdade canadiana na mesma proporçom.

Alguém imagina Dilma Rousseff a exclamar Viva a Galiza livre? Eu nom, com certeza. Seja como for, há umha diferença fundamental entre Braveheart e De Gaulle. As solidariedades, ou melhor, os interesses comuns, nom surgem apenas de compartilhar umha língua ou umha “etnia”. O autêntico motor som as relações reais, as trocas, o contacto. Neste sentido, o cidadao médio da Galiza nom é muito diferente com o cidadao médio de Torrejón de Ardoz a resepito da Lusofonia. Da mesma forma, as instituições galegas, públicas e privadas, políticas, culturais ou profissionais nom têm em foco… os nossos quebequeses.

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