Onde aponta o dedo?

Na hora de fazer uma análise, de fazer uma crítica, é importante na direçom em que aponta o dedo.

Mais de umha vez, depois de dar umha palestra ou no interior de umha conversa mais ou menos longa, algum interlocutor tem chamado a atençom para o uso abundante que fago da palavra OK, quase sempre com certa aspereza. “Isso é inglês”, “isso nom é autêntico”. Asperezas similares encontram-se em elites do galeguismo perante os galicismos do português. “Isso é francês”, “Isso nom é autêntico”. É louvável tanto desejo de autenticidade, seja dito de passagem.

Se deixasse sair o lado obscuro que todos temos (seja também dito de passagem), argumentaria “bom, se de autenticidade se tratar, que tal se deixamos de usar o inglês mitin ou o francês bufanda, ou melhor, os milhares de castelhanismos que agromaram no nosso país e de que nem somos conscientes?” É provável que ficasse cheio de razom mas a maioria das vezes a conversa entraria num crescendo de decibélios onde as goelas teriam mais protagonismo que as ideias.

Sempre me chamou a atençom a atraçom que o galeguismo histórico sentiu polo português e os países que o falam, atençom que o galeguismo oficial há tempos que enviou para as malvas, essencialmente porque é o preço para sair na fotografia. No entanto, sempre fiquei mais chocado com a fascinaçom que sentiam polos países celtas de cuja comunidade, ao que parece, fazíamos parte.

Longe de mim entrar em debates sobre o celtismo de que pouco sei. Simplesmente queria bater o ponto na atitude: a Galiza Lusófona era, e é, um desafio ao statu Quo, a Galiza céltica nom.

 Onde aponta o dedo?

Junho 2012

This entry was posted in Em 2012, Língua Nacional, Sen clasificar. Bookmark the permalink.