Como se siente ahorita?

Na hora de avaliar se umha língua está, na verdade, a funcionar como tal do ponto de vista social, é comum recorrermos a muitas variáveis: presença nos mass media, nos sectores económicos, nas cidades… Umha outra variável e a língua dos forâneos, nomeadamente, no caso galego, dos que chegam fora do Reino de Espanha.

No Quebeque, por citar um caso, a maioria dos imigrantes acabam por aprender francês num prazo relativamente curto. Nom por acaso, na Catalunha, as campanhas de divulgaçom social do catalám costumam incluir pessoas com traços físicos que denotam a sua origem africana ou asiática. Na própria Galiza, o vídeo do Modelo Burela provoca um calafrio de satisfaçom quando aparecem escolares de origens mui diversas a falarem a nossa língua.

Esta semana levei a minha avó de 94 anos a urgências. A facultativa que me atendeu era de origem americana, dalgum país de língua espanhola. A conversa nom correu muito bem, essencialmente porque nom me entendia, o que me obrigou a falar num formato de portunhol (Podia agora divagar sobre os direitos dos cidadaos e as exigências que a administraçom galega devia colocar os seus funcionários).

A médica dirigiu-se à minha avó e perguntou-lhe, sem obter resposta, até três vezes:

Como se siente ahorita?

Se a sinceridade é permitida, mal.

Fevereiro 2012

This entry was posted in Em 2012, Língua Nacional. Bookmark the permalink.