Cinco Dias

Se pegamos num dicionário eletrónico de português e pesquisamos as palavras que som de origem castelhana, a número resultante situa-se por volta do milhar. A maioria dos verbetes entrárom no período dos Filipes, esses 60 anos em que o rei de Portugal e o de Castela foi o mesmo, sendo precisos, 1580-1640. Foi um espaço histórico em que o contato entre a sociedade portuguesa e a castelhano foi intenso e tivo um eco linguístico.

Recentemente, começou o aPorto 2011. Assistim a todas as atividades sócio-culturais em qualidade de observador. Desfrutei, e muito, dos percursos históricos, mesas redondas, teatro, ateliês, comeres e beberes mas, deve ter algo de vírico, o meu gozo maior nasceu da observaçom e da conversa com os alunos e as alunas.

A motivaçom de alguns deles era aprender a falar como o fai um português, tal qual. Outras, polo contrário, perseguiam contrastar o seu galego com o de Portugal e descobrir a melhor forma de comunicar sem interferências mas sem alterar lá muito o seu sotaque.

Seja qual fosse a intençom, esta nem sempre coincidia com a prática. Havia pessoas que queriam falar à portuguesa mas acabavam por falar à galega (para alguns deles umha açom infrequente) e havia os do segundo grupo que acabavam imitando o falar dos amigos e amigas do Porto.

Ora, o mais interessante na causa que nos ocupa é que todos eles fizeram descobertas relativamente ao que nom funcionava em termos comunicativos. Na imensa maioria dos casos eram castelhanismos que passavam a substituir por vozes genuínas com umha facilidade imensa… e nom fôrom 60 anos, apenas cinco dias.

Agosto 2011

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