Cousa de Filólogos

Um dos aspetos mais atrativos do movimento Democracia Real, a meu ver, é que está a despertar debates sobre diferentes questons. Um exemplo é o do sintagma “eu-sou-apolítico” pois, na verdade, não sendo que sejamos um Robinson Crusoe, o mesmo facto de viver em sociedade, torna-nos irremediavelmente políticos. Podemos ser apartidários ou optar por delegar todo o nosso poder: “não quero saber nada de envolvimento político, que fagam e desfagam à vontade, eu tenho outros assuntos entre mãos”

No terreno da Língua, o sintagma correspondente seria: É cousa de Filólogos. O certo é que a maioria de nós falamos, escrevemos, lemos, ouvimos… portanto, todos vivemos numa língua ou várias. O que podemos fazer é desentender-nos ou não promover um projeto comum: “cada um que faga como lhe apeteça”.

O movimento que se está a desenvolver nas praças de muitas cidades tem uma missão, desenhar uma fotografia de futuro, como queremos que sejam as sociedades em que moramos: valores, regras, atitudes.

No terreno da língua era preciso na mesma desenhar uma fotografia, e provavelmente tendo em conta um prazo maior: como queremos que seja a fotografia linguística da sociedade galega de aqui a X anos. Que queremos legar às gerações vindouras? Uma sociedade monolingue em castelhano com ilhas periféricas de galego-falantes? Ou, a única sociedade no mundo que tenha como línguas oficiais e sobretudo sociais, os dous idiomas latinos mais falados? Isto é cousa de todos..

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