O que nos une

Vivemos num país com duas línguas e isto implica umha gestom. Se revisamos a internet e as hemerotecas logo nos apercebemos que nem todas as pessoas têm a mesma perspectiva de como deve ser gerida linguisticamente a Galiza. Ora, seria importante arranhar debaixo de tantos pareceres diferentes e procurar o que une o maior número de pessoas a fim de elaborarmos estratégias conjuntas.

Para já, a maioria de nós queremos que a sociedade poda usufruir ambas as línguas e que ambas o sejam na maior medida possível. Nom queremos, enfim, analfabetos numha das línguas ou, pior, estrangeiros a viverem como se nom existissem. Esta perspetiva podia ser um bom ponto de partida.

A respeito da identidade do castelhano existe um consenso absoluto mas a respeito da que uso neste artigo nom é assim. Há pessoas que vivem o galego como sendo património exclusivo dos habitantes da Galiza e outras, como a que escreve, que a vivem como sendo umha língua internacional que nos liga a outros países e continentes, o galego extenso e útil que proclamava Castelao. Nada indica que este dissenso venha a se diluir nos próximos anos, nem é preciso que o faga, todos e todas podemos conviver desde que haja vontade de nos reconhecer mutuamente.

Onde sim existe um alto consenso é na necessidade de aproveitar a vantagem competitiva que os galegos e as galegas temos relativamente ao português de Portugal, do Brasil ou de Angola. A respeito das restantes autonomias, a respeito, até, do resto da Europa, a nossa realidade linguística torna-nos umha singularidade podendo ser o único país no mundo que usufruísse o universo de expressom castelhana e o universo de expressom portuguesa.

Nesta linha têm-se manifestado pessoas do mais variado teor político. O que resta agora é passar das palavras aos factos, o que nem sempre é fácil. Falar exige menos esforço que fazer. Recentemente, no Parlamento Europeu, a deputada Ana Miranda frisou a falta de vontade política para a cidadania galega poder desfrutar das televisões de Portugal apesar de existirem convénios europeus que caminham nesse sentido. No terreno do ensino, perdemos com todas as autonomias que têm fronteira com Portugal no que diz respeito da criaçom de vagas de português no secundário. Temos zero, portanto só podemos aspirar a empatar.

Ensino e Mass Média som, portanto, duas linhas de trabalho que atingem um amplo consenso e que só nos podem trazer riqueza. Dizia Eça de Queirós aquilo de: o governo tolera mas nem sempre promove. De promover é que se trata.

http://www.galiciahoxe.com/opinion/gh/une/idEdicion-2010-12-15/idNoticia-620905/

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One Response to O que nos une

  1. Nando Vianna says:

    Senhor Fagim: Seu blog é muito interessante. Sou carioca mas vivo na Galiza faz muitos anos. Eu acho que a Galiza está perdendo um “bem-bom” se não conseguir entrar na CPLP. Durante muito tempo tive estas idéias e pensei que fossem besteiras. Fico muito contente de saber que alguma coisa tá mudando no ventre da nossa língua. Um abraço dum Brasi-Lego.

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