Humor a sério

Numha recente entrevista em Vieiros, o seu diretor, Ramón Vilar, perguntava-me porque era preciso ser bem humorado na Galiza com o tema da língua. Na verdade, a língua nom é diferente de outros objetos de movimentaçom social (feminismo, ecologia, desigualdades sociais…) onde umha atitude jovial é um medicamento indispensável para nom escorregar para a desánimo.

Seja como for, eis alguns casos para abonar a necessidade do humor no que diz respeito da Língua na Galiza

Numha palestra que dei na universidade viguesa perguntei ao público (em volta de 70 pessoas de entre 18 e 25 anos) a quantas tinha coincidido um docente que lhes explicasse que podiam ler textos em português sem dificuldade só polo facto de saberem galego. Levantaram a mao 11 pessoas. Depois dizem que os galegos e as galegas temos a estima baixa. Nom admira, se nos escondem as nossas virtudes… é algo assim como se os massai, uns africanos altos que medem a sua potência dando saltos, nom soubessem que existe um desporto chamado basquete.

Umha estudante de origem jordana chega a Galiza com o propósito de se expressar em galego. Propósito encomiável nom fosse que os seus círculos sociais, quer sejam galego ou castelhano-falantes, teimam em lhe esconder a língua que quer aprender. Deve ser umha versom peculiar do jogo das agachadas. No entanto, afinal encontrou o que procurava, saiu-lhe um trabalho em Portugal…

Um dos debates mais acalorados em volta da nossa língua é se é a mesma ou é diferente que a que falam em Portugal e no Brasil. Na verdade, uns vivemo-la sendo a mesma e outros vivem-na sendo diferentes e haja paz. Ora, recentemente o melhor dicionário on-line de Portugal, o da Priberam, vem de incluir mil e tal entradas galegas fornecidas pola AGLP. Dá-se assim o primeiro caso mundial em que umha língua inclui no seu lexicon um lote de palavras de outra a priori diferente. Enfim, podemos continuar a discutir à brava ou podemos aproveitar a via que se abre.

O presidente da Galiza diz que o galego é maravilhoso porque comunicamos com 200 milhões de pessoas mas o certo é que somos poucos os que temos esse hábito saudável de comunicar tanto assim. Por quê? Talvez porque o nosso governo, a diferença do estremenho, nom considere o galego/português umha vantagem competitiva. Ainda bem que os massai nom som governados por pessoas deste género.

Umha última questom. Poda parecer que esteja a fazer um exercício retórico quando falo da necessidade do HUMOR. Nom é assim, estou a falar bem a SÉRIO.

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