+

No nosso imaginário, matemática e língua som entidades contrapostas. De facto, já logo no bacharelado fam-nos optar por ciências ou letras. Mesmo assim, neste artigo vamos tentar que ambos os conceitos dancem. Começaremos com a quantidade de falantes da nossa língua na Galiza. Desde há várias décadas assistimos a umha contínua, o processo de substituiçom polo castelhano está muito avançado e, nom fosse o vigor e a teimosia de entidades e pessoas de todo o tipo, hoje a nossa situaçom seria irreversível. Fôssemos o povo eleito por Jeová e podíamos até ficar descansados porque sempre caberia começar de 0 mas segundo os dados que manejo nom fomos tocados polo dedo divino. Toca andar.

Para fazer frente a este processo de substituiçom tenhem-se colocado duas estratégias, a autonomista, que é a implementada nas instituiçons públicas e que afecta todas e todos e a luso-brasileira ou reintegracionista que é activada a partir da sociedade civil.

A estratégia luso-brasileira promove que tendo a fortuna de existirem duas variedades da nossa língua que tiveram êxito socialmente, as do Brasil e Portugal, o mais eficaz seria espelhar-se nelas e somar. A um nível prático trataria-se nom de traduzir e começar de 0 mas de importar os seus produtos (culturais, técnicos, simbólicos…) e interactuar com as suas sociedades.

É importante notar que, sigamos a estratégia que sigamos, o português implica umha + quando nom umha x. Há várias áreas onde isto acontece.

No ámbito da castelhanizaçom, mais profunda do que evidenciam os manuais escolares elaborados para os nossos miúdos, ajuda a reforçar estruturas gramaticais como o infinitivo flexionado ou o futuro de subjuntivo ou entidades lexicais como juros, orçamento ou auto-estrada, quer umhas quer as outras mui pouco presentes socialmente.

No ámbito da identidade, quer dizer, responder a pergunta: e quem fala a nossa língua?, os ganhos som também comuns. No campo cultural inclui os nossos produtores num sistema muito mais amplo como evidencia o projecto Cantos na Maré ou a projecçom do escritor Carlos Quiroga no Brasil. Pola sua parte, os consumidores teriam outros referentes musicais, literários ou cinematográficos daqueles emanados da Hispanofonia e que som omnipresentes na nossa sociedade. Uma fotografia da biblioteca ou a discoteca de um pessoa reintegracionista dam fé desta dinámica cultural onde, à par de produçons galegas, convivem outras brasileiras, portuguesas ou dalgum dos países africanos da área lusófona. Isto por nom falar das traduçons que ajudam a quebrar a dinámica em que fomos educados para vermos o mundo através dos óculos da língua estatal.

No ámbito da normalizaçom, há muitos campos onde a estratégia autonomista dificilmente vai conseguir chegar: material de quiosque, sites, traduçons técnicas, legendagem, software… Em muitos contextos como o nosso, o falante só pode pegar na versom na língua estatal. Nós temos escolha, a de outras variedades da nossa língua, a brasileira ou a portuguesa nomeadamente, que nos oferecem esse serviço sem necessidade de grandes investimentos públicos ou civis, que poderiam ser focalizados noutras áreas mais necessitados de reforço financeiro.

Como fruito de tudo isto, o estatuto social da nossa língua veria-se alterado em positivo e os falantes ganhariam em soberania a respeito da língua castelhana e os seus produtos a ǂ b. No campo do discurso podíamos apoderar-nos do bilinguismo e da utilidade tornando a Galiza o único país do mundo a ter como oficiais as duas línguas latinas mais faladas.

Seja como for, mesmo que somemos ambas as estratégias a+á, o ponto em que está a partida é mui incerto a+á<b. Assim sendo, numa posiçom de responsabilidade, devemos evitar a todo o custo atacar qualquer umha das estratégias porque isto só consegue criar ÷ frente a agentes que, para além de estarem unidos, tenhem ao seu favor a inércia sociológica, o mercado e um estado. Dividir é altamente irresponsável.

Pensemos o que pensarmos da estratégia luso-brasileira, está é responsável polo Portal Galego da Língua, o periódico Novas da Galiza, muitos dos locais sociais que agromam por todo o país e que ganham galego-falantes entre a juventude, o movimento ridiculista, imensa produçom intelectual em todos os campos, o e-Estraviz ou a AGLP +

Nom só, é umha estratégia que pode ser mais atractiva na hora de ganhar neo-falantes em cidades onde a nossa língua nom é usada entre as camadas mais jovens. Como se sabe, a presença da língua em certos ámbitos, e as cidades é um deles, multiplica. Pode abrir-lhes mais hipótese de trabalho, adquirir mais bens, dar a sua condiçom de galegos e de galegas + valor.

Atrás desta estratégia, como da autonomista, há pessoas de todas as classes, de todas as ideologias, de todas as sensibilidades, o que confere imensa riqueza às nossas acçons.

Para finalizar, um desejo. As pessoas que seguimos a estratégia luso-brasileira aspiramos a ser iguais que Galicia Bilingue ou que o presidente da RAG num aspecto chave. Sermos tratados da mesma forma perante as instituiçons, o que passa por nom sermos discriminados por viver a nossa língua como sendo extensa e útil. Enfim, quanto aos direitos civis, sermos =

Tempos Novos, abril 2010

This entry was posted in Colaborações. Bookmark the permalink.