Entrevista em Gz-nación

http://www.gznacion.com/web/noticia.php?id_noticia=14892&id_cat=14

O novo Conselho da AGAL vén de ser elixido por máis dos 2/3 da Assembleia. Como valora os resultados?

Alcançar dous terços era preciso para sermos eleitos. Destacaria sobretudo a alta participaçom, e neste sentido estamos muito satisfeitos de fazer parte dumha associaçom com tanto envolvimento por parte dos associados e associadas.

Que ambiente se respira na AGAL depois do proceso electoral? Cal vai ser a relación do novo Conselho co equipo saínte?

Polas mensagens que nos chegam, quer dos sócios quer de pessoas próximas da Agal, existe confiança na nossa equipa e boas expectativas. Sermos “novos”, como se sabe, pode ser umha fortaleza mas também umha debilidade. Tentaremos que a primeira contrabalance a segunda.

A nossa relaçom com o Conselho saliente é boa porque tanto eles como nós amamos o que fazemos e queremos que a nossa língua transite da periferia para o centro social.

Cales van ser os retos inmediatos aos vai ter que facer fronte a Associaçom?

De aqui até Setembro, teremos que resolver muitas questons de tipo administrativo. Para além disso, as diferentes comissons terám a sua reuniom fundacional com a meta de fixar a sua estrutura interna e marcar os objectivos anuais.

Considera que este Conselho se vai caracterizar por ser reformista ou pola contra continuísta coas políticas marcadas polos anteriores?

Todo novo conselho, de qualquer organizaçom, deve aspirar a rentabilizar o bom trabalho feito até entom, que é muito, e abrir novas vias. A respeito disto último, como referenciamos no Blogue da candidatura http://www.pt-gz.org/candidatura/blog1.php, a nossa ideia central é levar à sociedade o discurso reintegracionista. Para isto é preciso seguir estratégias diferentes segundo o perfil do público alvo: Internet, FAQ, cultura do Brasil e Portugal, Fórum da Língua…

Unha das propostas defendidas pola súa candidatura é que a AGAL continúe pola senda da profesionalización. Que vai achegar esta nova liña á asociación?

Eficácia. Toda associaçom com vontade de ter releváncia social joga com umha aritmética entre profissionalizaçom e voluntarismo, desde as entidades mais pequenas até as maiores. O ponto chave é delimitar que áreas devem ser profissionalizadas. No nosso caso achamos que deve ser a informática e a coordenaçom geral. No caso do informático porque o PGL tem sido o melhor produto ideado no seio da Agal nos últimos tempos. A coordenaçom geral porque tem que haver um responsável último de que o programa se cumpra.

O galego está a sufrir un dos peores retrocesos da súa historia. A que considera vostede que se debe esta situación?

Amigos e amigas do Gz-nación, esta questom daria para vários livros. De facto, a resposta pode focar-se de muitos ángulos. Vou escolher apenas alguns, nem melhores nem piores do que outros.
Para umha variedade alcançar o estatuto de língua precisa haver umha comunidade que a assuma como própria e que a use. Essa comunidade deve ser heterogénea do ponto de vista social, económico, habitacional, etária, profissional… Quer dizer, nessa comunidade a língua tem que ser falada pola empresária e a operária, o que muito tem e o que pouco ou nada, o citadino e o da área rural, o velho e a criança, etc. É o que acontece em Portugal e no Brasil, espaços onde a nossa língua tivo êxito. Como todos e todas sabemos isso nom se dá na Galiza. Quer se consultamos os estudos estatísticos ao respeito como se nos limitamos a observar a olho nu, o processo só tem um nome: substituiçom linguística.
Este processo também se dá no espaço de expressom catalá com umha diferença importante entre a Catalunha e Valência. Em que se diferenciam ambas? No papel das elites. Enquanto na Catalunha existem elites a usarem a língua catalá, caso do presidente do F.C. Barcelona por citar umha personagem bem conhecida, em Valência a aposta das elites foi o castelhano. Como sabemos, o ser humano, polo geral, tende a imitar a quem tem mais prestígio.
De um ponto de vista diferente, há umha pergunta prévia a toda política linguística: para quê? Por outras palavras, qual vai ser a funçom da nossa língua na Galiza e qual a do castelhano? Podíamos acrescentar ainda outra pergunta: houvo alguma vez umha política linguística destinada a fazer do galego a língua nacional da Galiza? Creio que nom.
Mas seria injusto acabarmos por aqui. Tendo em conta as nossa fortalezas, as nossas debilidades, as nossas ameaças e as nossas oportunidades, pergunto: as estratégias do movimento galeguizador fôrom as melhores? Estas estratégias fôrom aplicadas após umha análise equánime da situaçom ou fôrom fruto de interesses pessoais e teimas particulares?

Pola contra o reintegracionismo conta cada día con máis simpatizantes. Que pode achegar o reintegracionismo á normalización lingüística?

O facto de a Galiza ter ficado inserida no Reino de Espanha tivo três consequências importantes do ponto de vista linguístico. Duas delas som ensinadas nos manuais escolares. A primeira foi a nossa língua ficar relegada às funçons sociais mais periféricas: a oral e a familiar. É por isso que hoje existem políticas de normalizaçom linguística.
A segunda foi a castelhanizaçom, muito maior do que se ensina nas escolas. O pior é que o processo continua. A atitude tipo de um falante é fotocopiar os discursos que se emitem em castelhano e a isto nom escapam as pessoas e instituiçons que deveriam oferecer modelos soberanos. Para, por exemplo, nomear umha nova realidade, pega-se na forma castelhana para fazer o decalque perfeito: “desenvolvimento sostible” “piso piloto” “parelha de feito”. Insisto, o pior é que os responsáveis de oferecer modelos soberanos, recusam a sua responsabilidade.
Umha terceira consequência que nom recolhem os manuais escolares é a estrangeirizaçom do português (portanto do “galego”) e a naturalizaçom do castelhano. Isto é o mesmo que estrangeirizar todos os produtos emanados de Portugal e do Brasil, e sentir como próprios todos os que emanam de Espanha, Argentina, México…
E aqui, acho, está a originalidade do reintegracionismo. Durante vinte e tal anos tenhem-se feito políticas linguísticas baseadas na seguinte fantasia: vamos alterar o subsidiaridade funcional da nossa língua a respeito do castelhano, usando um código subsidiário e obviando aquelas variedades da nossa língua que alcançaram o estatuto de línguas nacionais, enfim as que sim tivérom êxito social. Todos sabemos qual é a natureza das fantasias.
Em termos práticos, e sendo muito concisos, o reintegracionismo propom importar antes que traduzir ou aceitar a dependência a respeito do castelhano.

Unha das reivindicacións históricas do reitegracionismo é que se facilite o achegamento ao mundo lusófono. En que aspectos sería positivo para Galiza?

Um galego médio, fale a língua que falar, do ponto de vista sociológico e cultural, sente-se à vontade com Shakira, Manolito Gafotas, Operación Triunfo ou o diário Marca. É um universo que lhe vem dado à nascença. Um universo enorme.
O que torna a comunidade galega tam genuína na categoria das naçons é que este universo nom é o único que lhe é dado por ter nascido na Galiza. As portas da Lusofonia estám abertas de par em par. A este respeito é preciso informar e formar a cidadania, o que as nossas instituiçons nom figérom nunca. Depois, é só cruzar e usufruir.
Para qualquer galego, para qualquer galega, isto é umha riqueza enorme e apenas pessoas cegadas polo nacionalismo mal entendido ou o chauvinismo podem recusar este oferecimento.
Quanto à Galiza, seria a única comunidade nacional a beber de ambos os universos, com todas as oportunidades em que isso se pode traduzir, para já, individualizar-se a respeito de Espanha.
Outra aspecto positivo bem importante é que os galegos fomos educados na crença de a nossa língua ser local. Para aceder a outros sistemas culturais a alfándega insalvável era, e é, o castelhano. A táctica galego-portuguesa quebra isto. Sirva de exemplo o derradeiro volume de Asterix, editado em 2005. Enquanto se fam campanhas para a sua traduçom para galego-castelhano, os seus adeptos galegos já o lêrom, quer na versom castelhana, quer na portuguesa.

A falta de comunicación ou de entendemento entre as diferentes academias e colectivos en defensa do galego como A Mesa, A RAG ou a AGAL, pode debilitar esa defensa?

Com certeza. O que seria preciso seria indagar nos pontos em comum entre as diferentes instituiçons, e nom sendo que as estratégias se confrontem na sua totalidade, avançar naquilo que nos poda unir. Estou certo que, se houver vontade, podemos encontrar o mínimo múltiplo comum.
Un bo xeito de mellorar esas relacións ca RAG sería dedicar o Día das Letras Galegas a Carvalho Calero, como están a pedir dende diferentes asociacións… Son optimistas de cara a este nomeamento?
De um ponto de vista neutro, é difícil entender que ainda nom se dedicasse um dia das Letras a umha figura histórica com o perfil de Carvalho Calero. Todos sabemos o porquê mas é triste, por nom sermos mais explícitos. Será 2010 o ano de Carvalho Calero? Bom, todas as instituiçons tenhem umha quota fixa de boas notícias.

Junho 2009

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