Eu ganho, tu ganhas.

A teoria dos jogos é umha aplicaçom das matemáticas que se utiliza para procurar estratégias racionais onde o resultado nom depende só de um agente mas da interacçom entre vários.

Há um classe de jogos em que o ganho de um agente repercute na mesma medida nas perdas de um outro. A maioria dos jogos de mesa que conhecemos respondem a este esquema: xadrez, parchisse, tute… assim como as apostas: se duas pessoas apostarem 100 euros, umha ganha 100 e outra perde 100. Este tipo de jogos denominam-se de Soma zero.

Também há jogos onde a soma é diferente de zero, podendo ser que perdam todos ou ganhem todos. Se um grupo de moradores de um edifício nom se pom de acordo para limpar as escadas, perdem todos. Se alcançarem um acordo, ganham todos.

Os debates por volta da identidade da nossa língua entre umha visom reduzida, língua apenas da Galiza, e umha outra ampla, língua da Galiza e também internacional, “parecem” responder ao esquema de soma zero.

Umha das reclamaçons dos que defendemos a visom ampla é o facto de os nossos direitos como cidadaos e cidadás serem menosprezados precisamente pola nossa focagem e a nossa prática. A contradiçom torna-se evidente se tomamos as palavras do presidente Feijoo:

“500 milhons de pessoas falam inglês; 400, castelám; e 200 milhons pertencem ao mundo lusófono. Em definitivo, se temos esses três idiomas podemos comunicar-nos praticamente em todo o mundo”.

A contradiçom é que precisamente as pessoas que nos “comunicamos” com umha comunidade de 200 milhons de pessoas vemos reduzidos os nossos direitos na nossa própria comunidade.

Quando nalguns países se fala dos direitos da mulher, um argumento recorrente é que um comunidade política nom pode prescindir de metade da populaçom. Igualmente a Galiza nom pode prescindir de um coletivo qualificado, vitalista e em expansom. Torna-se num jogo onde perdemos quase todos.

Como podíamos mudar a natureza do jogo?

A nossa inspiraçom podia ser a comunidade autónoma de Estremadura que, como sabemos, nom é o berço da lusofonia. Mesmo assim, os seus altos cargos tomárom a decisom de tornar o português, em suas palavras, numha aposta estratégica.

Esta aposta pode-se traduzir aqui na recepçom dos mass média, a presença no ensino (introduzi-la na ESO daria para garantir um CV com português nível alto), promover os produtos culturais brasileiros, portugueses, angolanos… assim como o direito dos “comunicadores” galegos e galegas a poder desenvolver-nos na mesma língua de “200 milhons de pessoas”.

Teríamos assim um jogo de soma diferente de zero onde eu ganho, tu ganhas e, o que é mais importante, os galegos e as galegas ganhamos.

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