Se eu fosse eles

Se eu fosse eles, criava um think tank chamado “España, un país, una lengua universal”. Se eu fosse eles, elaborava um relatório com o título: Garantir la substitución linguística en Galicia.

A secção primeira levava por título: Desligar o galego do português.

Objetivos.

· Institucionalizar o castelhano como única ferramenta cultural e linguística: literatura especializada, Internet, música…
· Estrangeirizar o português.
· Dialetalizar o galego a respeito do castelhano.
· Afastar o conflito dos foros internacionais, reduzindo-o a uma questão regional.

Meios.

· Oficializar uma normativa linguística nas coordenadas do castelhano.
· Não promover a língua de Portugal e do Brasil: ensino, mass média…

Se eu fosse eles, a secção segunda levava por título: Tornar o galego inútil.

Objetivos.

· Manter o estatuto social do castelhano como “língua a sério”.
· Criar antipatia e estranhamento na cidadania por uma língua que não funciona como tal.

Meios.

· Dar ao galego um estatuto legal de artefacto secundário e prescindível.
· Não promover o galego naqueles espaços de maior prestígio social.
· Usar o discurso de “liberdade individual” ou o de “sentido comum / praticidade” segundo for preciso.

Se eu fosse eles, dissimulava um bocadinho.

Embora talvez não o precisem.

Maio 2009

This entry was posted in Em 2009, Língua Nacional. Bookmark the permalink.