Para o que come

Numa conhecida vinheta de Castelao aparece um cão esfomeado que mal se mantém sobre as suas patas. Ao pé dele conversam dous homens. Um deles é o dono. O outro é um vizinho que, preocupado polo estado de abandono do animal, pergunta: Por que não lhe dás de comer, ó?

Ao que responde o dono: para o que fai…

O vizinho insiste: por que não o matas então?

E o dono retruca: para o que come…

Vamos agora para uma conversa datada um dia de julho de 2009.

(Professor de um centro de secundário): Não pensas que é pouco útil escrever o galego com uma ortografia diferente de portugueses e brasileiros?

(Director do centro): Uma cousa é o galego e outra é o português.

Conversa datada um dia depois com os mesmos atores.

– Que tal se para o próximo ano ofertamos como segunda língua estrangeira o português?

– Para quê, ó? Sabendo galego não fai falta estudar português.

Julho 2009

Para o que come

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