Mira por ti

Como se sabe, o PP ganhou as eleições. Ao que parece, uma péssima notícia para a língua. No entanto, a fronteira entre o péssimo e o ótimo não sempre é assim tão diáfana. Atrás das ameaças, às vezes, ocultam-se oportunidades.

Que pode ter de bom o triunfo do PP? Para já, tomar consciência de que não somos tantos e que a nossa massa crítica não é muito grossa. Para já, que colocar metas para as quais não existem meios, é um convite louco para a frustração.

Talvez poda ser um bom momento, até, para deixar de malbaratar energias atacando, com sanha, os que temos ao lado e reinvestirmos esses Joules, a unidade de energia e trabalho, em construir.

Uma das frases que mais tem marcado a minha geração (os que nascemos em 70) é a que dá título a este artigo, Mira por ti. Esta mensagem, que foi transmitida aos nossos pais polos nossos avôs, é como os dedos do pé. Foi vital num dado momento mas hoje nem tanto. Contudo, planeia sobre cada um de nós como uma sombra.

Seria porreiro que agora todas essas pessoas, e não são poucas, que se exasperam na mesa do bar lendo o jornal, porque as cousas não vão como elas desejam, matem o pai, e a mãe, e invistam capital humano e financeiro nos projetos que acharem melhor: o partido político, a assinatura do periódico, a associação, o local social…, para assim deixar de esperar e passar a fazer.

Porque, é certo, não somos tantos mas também não somos tão poucos.

Março, 2009

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