Estrangeira x2

Uma mulher galega, nascida na Austrália e que leva 8 anos a morar no nosso país visita a secção de urgências de um hospital citadino, Corunha, Vigo, tanto dá. É recebida por vários médicos a quem explica o porquê da sua presença ali:

– Estava a trabalhar, comecei a me sentir mal e sofrim um desmaio. Quando acordei nom me lembrava de nada.

Antes de poder dar mais detalhes é interrompida por um médico solícito:

-¿Ay, eres portuguesa? Entonces, vamos a llamar a Carmen que és de allí e está de prácticas en nuestro hospital.

A mulher galega nascida na Austrália recebe o primeiro carimbo de estrangeira mas responde:

– Não sou portuguesa, sou australiana.

Nesse momento os cabos da máquina começam a fumegar. É como aquelas vozes pregravadas ao telefone quando nos dizem: – a sua resposta não consta no repertório. Tente outra vez.

A tal médica portuguesa é chamada, explica-se-lhe a situação e resolve falar com a mulher galega nascida na Austrália… em inglês, it´s natural, tudo Ok. A segunda na testa.

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Que têm em comum?

Consuelo é um mulher de Almedilha, Salamanca, lugar onde ainda se fala português entre as pessoas idosas, como é o caso dela. Outrora, há vários séculos, Almedilha era território português e esse é o motivo de existir esta ilha linguística. No documentário Entre Línguas ela afirmava que quando ia a Coimbra, a Guarda ou a Santiago de Compostela falava português e que nós, os galegos, falávamos português.

Sofia é uma miúda de 3 anos a quem seus pais, de vez em quando, passam um vídeo musical da youtube que diz assim“ Meu pintinho amarelinho. cabe aqui na minha mão, quando quer comer bichinhos, com seus pezinhos ele cisca o chão, ele bate as asas, ele faz “piu-piu!” mas tem muito medo é do gavião. ” Ao ouvi-lo começa a saltitar e acompanha cantando a canção. Se lhe perguntares em que língua está a canção, responderá que em galego.

Manuel é um norte-americano de origem galega que vive em Rhode Island. Seu pai emigrara nos anos 40. O Manuel tem muito contacto com pessoas de diferentes comunidades, a chinesa, a negra, a italiana, a portuguesa. Com todos fala em inglês, exceto com os portugueses com quem usa o mesmo código que usava seu pai quando falava entre eles.

Consuelo, Sofia e Manuel têm algo em comum. Não passaram polo sistema educativo galego.

 

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Os watusi e a Conselharia de Educação

Se comparamos um aluno galego com outros do resto do Estado evidenciaremos que não há diferenças significativas do ponto de vista físico ou inteletual. Não destacam pola sua inteligência, a sua beleza ou a sua agilidade.

Se comparamos os membros da etnia watusi com o resto das etnias africanas evidenciaremos que são a etnia mais alta não da África mas do mundo. Nos homens a altura média é de 1.95m enquanto nas mulheres alcança os 1.77m.

Coloquemo-nos na mente do ministro de desportos do país onde moram os watusi. A sua equipa de assessoramento reúne-se para decidir que atividade desportiva será promovida socialmente. Numa tempestade de ideais ecoam patinagem artística, karts, pingue-pongue e até o curling. É o que têm os brainstormings, é necessário atrasar o julgamento enquanto ainda não se terminou a geração de ideias. Ora, numa segunda fase entra-se na análise das ideias e descartam-se as menos luminosas. No caso que estamos a referir, o curling desaparece logo do mapa. Entre os desportos citados aparece, no entanto, o basquete. Como sabemos, a altura joga um papel fundamental neste desporto o que unido a que os watusi destacam polos seus centímetros só permite um resultado sensato.

Voltemos a Galiza. Como dizíamos e sabemos, o estudantado galego não destaca pola altura. Em que destacam então?

Os Ops é um ateliê que a AGAL está a desenvolver em centros de secundário e que vai ao encontro da vantagem dos nosso estudantado no ensino secundário. O obradoiro desenvolve-se em português de Portugal. É o único registo que utilizam as docentes, o que coloca duas questões importantes. Seria possível fazer o mesmo ateliê em Burgos, Donosti ou Tarragona? Sabemos que não. Não entenderiam.

A segunda questão que coloca o Ops é que apesar de os alunos e alunas não estarem expostos, estruturalmente, a outras variantes da nossa língua, conseguem, melhor ou pior, desenrascar. Em termos watusi poderíamos dizer que são altos. Ora, ter certo desempenho em português de Portugal e destacar pola altura são realidades diferentes. A segunda é física, genética a primeira é social, pode ser desenvolvida ou abafada.

Antes falávamos de um ministro de desportos, é o momento de tocar conselheiros de educação. A presença do galego como matéria curricular supera os 30 anos, uma bela cifra para obter resultados e fazer análise dos mesmos. Será que na Conselharia de educação também fizeram brainstorming? Não saberia dizer mas parece que não. Centenas de milhar de pessoas têm passado polo sistema educativo galego, o autor deste artigo entre eles, e nenhuma parte do currículo escolar veu-nos a informar da nossa vantagem. A maioria ainda não o sabem e quem o sabemos foi por causas conjunturais, um docente especialmente curioso, uma viagem a Portugal, uma canção… e reconheçamos que não é muito sério que um cidadão galego descubra que fala a sexta língua do mundo em falantes por que ouviu o Caetano Veloso em casa de um amigo.

Onde sim parece que fizeram uma tempestade de ideias foi na Extremadura espanhola. Ali tampouco seria possível fazer um Ops porque são monolingues em castelhano. Só funcionaria naquelas turmas expostas ao ensino do português de Portugal, muito mais numerosas que na Galiza. Conexão watusi-Badajoz.

Chegando já ao final deste artigo o leitor, a leitora estará à espera de adjetivos ou nomes que descrevam este estado de cousas, Vergonha, Estupidez, Incapacidade… pois, poderiam valer. Ora, o sistema educativo espanhol não tem como objetivo aproveitar as capacidades do seus alunos e alunas para as maximizar. A sua função é outra, tão evidente que nomeá-la seria insultar a inteligência da pessoa que está a ler este artigo. Assim sendo, olhemos para nós mesmas, para as pessoas que aspiramos a que a língua da Galiza seja promovida socialmente e passe da periferia para o centro. Feito isto, as perguntas batem no horizonte: quem tem contribuído a esconder as capacidades dos nossos alunos e alunas? Por quê?, até quando mais teremos que esperar a que soe Caetano Veloso por acaso?

 

 

 

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Sejamos mal educados

Muitos de nós retemos na retina aquele cartum do Quino onde miúdos naturalmente diferentes, deslocando-se numa fita transportadora, entravam num edifício para acabar por saírem do mesmo perfeitamente homogeneizados. O edifício em questão era um centro educativo.

A maioria de nós passou uma média de 12 anos no sistema escolar obrigatório o que pode dar para várias dezenas de docentes diferentes. São muitos. O que me sempre me chamou a atenção é que nenhum deles me descobrisse que a língua da Galiza era mundial, nem que fosse por acaso, nem que fosse numa aula mais distendida do habitual, sequer como um comentário ao ar para completar os 55 minutos precetivos de docência. Costumo colocar essa pergunta ao público nos ateliês e palestras em que participo para constatar que o meu caso, infelizmente, é o mais alargadamente comum.

Ora, o que sim ficou no meu disco rígido enquanto estudante era que o castelhano era mundial. Era falado em muitos países, com formas diferentes, mesmo muito diferentes mas isso ia em benefício da sua riqueza. Esta focagem formava e forma parte do currículo escolar e dos manuais obrigatórios. É o que todos e todas mamamos. No entanto, no caso do galego o esquema é diferente. Ambas as atitudes transparecem num site que se tornou de obrigada consulta, a wikipédia.

Se pegamos na versão em espanhol lemos:

Las variedades geograficas del espanol difieren entre si por multitud de razones. En aspectos de vocabulario, se dan notables diferencias especialmente en determinados ambitos semanticos, como la nomenclatura de las frutas y verduras, vestimentas y articulos de uso cotidiano.

Como en cualquier lengua, especialmente cuando se distribuye por un dominio geografico extenso, el espanol presenta diversas variedades internas que permiten distinguir a sus hablantes segun su pronunciacion, sus construcciones gramaticales y su vocabulario.

A metáfora podia ser um vasto horizonte que se mostra infinito.

Se apanhamos a versão em galego ilg-rag a focagem é uma outra:

As diferenzas entre galego e portugues xa proveñen do galego medieval, onde en textos antigos xa se comeza a confundir as sibilantes xordas coas sonoras, conservadas en Portugal, asi como outras pequenas variacions en morfoloxia (disso fronte a disse..).

A metáfora podia ser um muro que não deixa ver nada mais que o nosso umbigo.

É por isto que devemos ser mal-educados e saltar este muro. Não só os alunos e alunas que num galego mundial vão ser mais felizes e vão receber mais benefícios como também as professoras e professores nomeadamente porque vão fazer um grande serviço a pessoas pola cuja educação são responsáveis.

 

 

 

 

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O galego seria mais divertido

Desde há umhas semanas a AGAL conta com umha nova direçom, reforço da anterior que tivem a fortuna de coordenar. Foram anos intensos em que nasceram vários projetos, os aPorto, a Imperdível, cursos on-line, a Através Editora… mas de todos eles há um do que estou notadamente satisfeito, os Ops.

É um obradoiro para o ensino secundário que tem como objetivo central evidenciar um facto: a língua é a nossa vantagem competitiva como galegos e galegas. Até o momento em que escrevo estas linhas tenhem-se ministrado mais de um centenar de ateliês com a satisfaçom geral de docentes, responsáveis das equipas de Normalización Linguística e, o mais importante, os destinatários e as destinatários dos mesmos. É o que evidenciam os testes de avaliaçom elaborados por eles:

Querendo, podemos comunicar facilmente em português” “Aprendi que no mundo muita gente fala  português!” “Sabendo galego, estamos no mundo” “É importante dominarmos bem a língua que se fala no Brasil” “Graças ao galego, temos abertas as portas de muitos países”…

Entre estas e muitas outras frases aliciantes houvo umha que me abalou especialmente vindo de umha turma de Arçua: “se déssemos isto nas classes, o galego seria mais divertido”.

Como se sabe, na Galiza há pessoas que vivem o galego como sendo umha língua compartilhada (com o Brasil, Angola, Portugal…) e pessoas que a vivem como sendo especificamente da Galiza. Para além das nossas vivências pessoais, o certo é que a língua dos países citados estám ao alcance da cidadania galega e o seu usufruto seria umha mais-valia geral. Como também é sabido, o sistema educativo galego nunca tem implementado estruturalmente esta potencialidade. Simplesmente, os planos de estudo nom contemplam que os nossos alunos e alunas saiam do ensino obrigatório portando esta riqueza.

Pessoalmente concordo com o tal aluno arçuano: os aulas de galego teriam muito a ganhar implementando a língua e as culturas lusófonas. Ganhariam com certeza os estudantes que, sem grandes esforços, teriam acesso a um planeta cultural como também ganhariam os seus Curriculum Vitae, facto de especial relevância nos tempos que nos toca viver.

Ora, também ganharia a consideraçom e o estatuto do galego, canal que nos conecta com um mundo a que nom podem aceder os alunos de outros cantos do estado espanhol.

Por fim, e em consequência, ganhariam também os docentes de galego pois seriam os guias galácticos para aceder ao Planeta NH. Mais do que nunca, é um bom momento para sulcar a galáxia.

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No se puede

Recentemente abriu em Compostela um café-restaurante de grandes dimensões. Umha das salas tem um projetor e um ecrám enorme para ver documentários ilustrativos que temperem o nosso espírito e nos fagam conectar com o nosso autêntico ser… nom, nom, é para ver futebol.

Os donos do negócio sabem que é o espaço oferecido é umha vantagem competitiva e telefonam para Canal + a fim de contratar o futebol de pagamento e, ao mesmo tempo, pedem um cartaz corporativo da empresa anunciando que no dado local se pode a ver a Liga. Pedem-no em galego e recebem por resposta três palavras.

APO é um cidadao galego cujo nome, Afonso, e segundo apelido, Outeiro, nom se corresponde com o que aparece no Bilhete de Identidade. Dedica um tempo a recolher documentos de todo o tipo onde Alfonso Otero deixa respirar o Afonso Outeiro, pega em duas testemunhas e vai até o registo civil da vila onde nasceu. Após a espera pertinente é atendido por um funcionário que, como aperitivo sem sal, lhe diz as mesmas três palavras.

As mudanças som difíceis. Somos animais costumeiros, mais parecidos às vezes com os ponteiros de um relógio, tiqui-taque, tiqui-taque… O primeiro passo para a mudança é imaginá-la. Antes de ter um filho, por exemplo, é preciso imaginá-lo, criar imagens em que coexistamos. Depois, podemos tomar umha decisom ou outra. A imaginaçom é a porta de saída do relógio.

O No-se-puede da empregada de Canal –, como também do funcionário do registo civil tem como ruído de fundo tiqui-taque, tiqui-taque, tiqui-taque…

novembro 2012

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Espera-galegos

Um estudo da Mesa pola Normalización Linguística evidencia que a nossa língua inexiste no ensino infantil, com percentagens que nom chegam a 5%. Segundo a fonte, estes dados nom som um reflexo da vontade dos pais e das mais relativamente à língua escolar para os seus miúdos mas é o que se chama Realpolitik ou política de factos consumados.

Poderia ser de outra forma? Se dermos um passeio polos sistemas educativos de diferentes lugares do globo constatamos que têm umha funçom sociabilizadora fundamental, rara vezes verbalizada. Felizmente, o ministro de educaçom espanhol é pouco propenso a reviravoltas dialéticas:”Nuestro interés es españolizar a los alumnos catalanes”.

Assim sendo, o sistema educativo espanhol foi criado para criar espanhóis e a forma melhor de garantir um espanhol 100%, bem mais puro que os desnatados leitores deste periódico, é garantir que sejam monolingues em espanhol. A máquina funciona para conseguir isto e funciona mui bem. Nom esperemos algo diferente dela.

Alguns dirám: que maus som!. Outros exclamarám: Fazem isto com o meu dinheiro! Pois, som do pior. O quarto dos lamentos está lá ao fundo à esquerda, nom tem janelas, acomodem-se. Tenham cuidado em nom tropeçar, há muito pessoal. Paciência.

Falando em paciência, em Portugal recebiam o nome de “espera-galego” os fósforos inicialmente feitos de enxofre e que tinham de ser mergulhados em ácido sulfúrico. A demora do processo ligada à ideia de os galegos serem pessoas até indolentes deu nome a estes fósforos: de espera-galego.

E entom, que estaremos a esperar? Nom será tempo de construir, de ensaiar, de errar, de acertar?

outubro 2012

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Somos galegos e nom nos entendemos.

Um casal amigo escolhe a Grécia como local de viagem no mês de agosto. O grego, como é sabido, é o bastante diferente da nossa língua como para se sentir em Marte, o que para relaxar e desligar do dia a dia é umha bênçom. Nom dá para ler jornais, ouvir rádio, ver televisom… sweet Marte sweet.

Ter umha língua conectada, no entanto, pode ser umha maldiçom e trasladar-nos ao planeta Terra num piscar de olhos. Um dado dia, visitando tal ou qual monumento, ouvem um brasileiro a falar no telemóvel. Com vontade de um bocado de “terraqueidade” dam em conversar com ele. O tipo é muito curioso pola Grécia, polo diferente, polo próprio e rapidamente fam farinha.

Em dado momento, cruza-se com eles umha portuguesa que ao ouvir a conversa junta-se deles, talvez também com vontade de baixar do comboio Marte e sentir-se na Terra. Ao pouco, o brasileiro exclama: Adoro Portugal, vou lá com frequência, Lisboa, Porto, as vilas alentejanas, as festas regionais…

Ao que a portuguesa responde célere: O senhor é brasileiro, que bom!. Eu tenho estado lá algumhas vezes. É espetacular, as praias cariocas, o samba, os sumos…– e olhando para o casal galego pergunta- e vocês, de onde som?

Nós somos da Galiza, de Santiago de Compostela.

-Ah, a Espanha, eu adoro, os touros, o flamenco, Madrid…

– Nós odiamos Espanha.

-Ah, sim, os bascos…

setembro 2012

 

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Abrir portas e conectar

Hoje acordei com umha interessante campanha da Federación Galega de Parques Empresariais. O cartaz mostra um mapa onde, partindo da Galiza, surgem várias linhas vermelhas que nos conectam com diferentes continentes através do Brasil, a África Lusófona e Timor. O lema, auspicioso, O galego, chave para os teus negocios no mundo. O texto inferior lembra-nos que mais de 200 millóns de persoas falan portugués. Aproveita o valor da túa lingua.

O mundo empresarial sempre tem sido opaco, em sua maioria, ao uso do nosso idioma nas suas atividades profissionais. “Nom vende”, costuma dizer-se. Entre o movimento de promoçom social da nossa língua esta atitude tem provocado quer campanhas para resolver este desafio, quer desmotivaçom, dando finalmente a batalha por perdida.

Entre as muitas máximas de gestom há umha da qual gosto especialmente: nom colocar objetivos inatingíveis. Se a nossa aspiraçom é que o empresário médio passe a usar a nossa língua em todas as secções da sua empresa ou, melhor, se torne ativista da nossa língua e funde umha Convergència i Unió nacional, as auto-estradas da deceçom estám abertas de par em par e nem é preciso saltar-se a portagem, simplesmente nom há portagem.

A presente campanha mostra-nos umha chave para abrir umha porta no mundo empresarial e que o galego passe de ser ignorado a ter sido em conta. A chave tem a ver com a conexom. Se a nossa língua serve para criar conexões com outros países onde o castelhano nom conecta, ou conecta pior, o valor do galego aumenta consideravelmente.

Esta versom de galego conectado tem a virtude de abrir portas nom apenas no mundo empresarial como também em muitos outros ámbitos sociais. Torna as aulas de galego no secundário mais atrativas, mostrando o planeta que se expressa na nossa língua, as suas gentes, lugares e produções culturais enterrando, de passagem, nom poucos preconceitos. Abre as possibilidades de os nossos artistas difundirem a sua obra, nomeadamente no campo da música como Cantos na Maré e a Central Folque têm evidenciado. Facilitam que o galego-falante médio poda ter altas quotas de soberania linguística na sua interaçom com a Internet, o computador, a informaçom ou o telemóvel.

O dia que os partidos políticos galegos tenham como prioridade esta versom conectada do galego, muitas serám as portas que se abram e os lamentos que se fechem.

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Como a minha avoa japonesa

O mês de agosto, se der para acalmar a mente e que esta torne algo parecido com um lago especular, é um bom momento para tomar decisões estratégicas. Eis umha proposta simples: matricular-se em português numha Escola de Idiomas.

Som variadas as motivações que empurram as pessoas a estudarem português na Galiza mas mesmo aquelas que acham estarem a estudar umha língua estrangeira, logo descobrem que acontece qualquer cousa de estranho.

Imaginemos umhas aulas de japonês no nível básico. A professora pergunta umha dada palavra, por exemplo gozaimasu, e umha aluna de olhos em bico, neta de japoneses, responde acertadamente. Ninguém se admira mas se quem respondesse fosse umha preta de cabelo encaracolado, com certeza, logo surgiam interrogantes.

No nosso caso, comichão, irmão mais novo, leilão, bochecha, joanhinha, ervilha…desfilam pola sala de aulas de português que parece repleta alunos de olhos em bico já que sempre há alguém que sabe e nem costuma ser o mesmo. Se surgirem interrogatórios, há dous tipos de respostas prototípicas.

Os alunos galego-falantes de longo curso e antiga estirpe respondem: é como dizia a minha avoa.

A outra resposta possível procede das pessoas que nom lembram como dizia a sua avoa japonesa ou simplesmente carecem da mesma.

É como em galego.

Agosto 2012

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